O sistema de open finance brasileiro completa três anos em operação. Nesse período, mais de 40 milhões de consentimentos foram concedidos por consumidores para o compartilhamento de dados financeiros. O Brasil é hoje referência global no tema — mas a adoção ainda está aquém do potencial.
O open finance permite que o consumidor compartilhe seus dados financeiros com diferentes instituições, facilitando a portabilidade de crédito, a comparação de produtos e o acesso a serviços personalizados. Na teoria, é uma revolução. Na prática, a maioria dos consumidores ainda não sabe o que é.
A infraestrutura técnica funcionou bem. O Banco Central construiu um sistema robusto, com APIs padronizadas e mecanismos de segurança sólidos. A adesão das instituições financeiras foi quase universal — mais de 800 participantes estão no sistema.
Algumas fintechs aproveitaram o open finance para criar produtos inovadores: comparadores de crédito em tempo real, gestores de finanças pessoais que agregam dados de múltiplos bancos, e plataformas de portabilidade de crédito simplificada.
A adoção pelo consumidor final ainda é baixa. Pesquisas mostram que menos de 15% dos brasileiros já utilizaram algum serviço baseado em open finance. O principal obstáculo é a falta de conhecimento: a maioria das pessoas não sabe que o sistema existe.
"O open finance é uma infraestrutura. O valor para o consumidor depende dos serviços construídos sobre ela. E esses serviços ainda estão em desenvolvimento."